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10 Ago 2026

BRCGS Packaging Materials: quais são os principais desafios para as empresas de embalagens?

BRCGS Packaging Materials: quais são os principais desafios para as empresas de embalagens?

Produzir uma embalagem para o setor de alimentos envolve muito mais do que atender a especificações técnicas. A origem e a composição dos materiais, as condições de fabricação e armazenamento, a rastreabilidade e a capacidade de prevenir contaminações podem impactar a segurança do produto e, consequentemente, clientes e consumidores finais.

A BRCGS Packaging Materials estabelece um referencial para a gestão desses riscos e para a produção de materiais de embalagem seguros, legais e com a qualidade especificada. Com mais de 6.800 sites certificados em mais de 90 países, é uma certificação relevante para empresas que fornecem para a indústria de alimentos e para outros setores com elevados requisitos de segurança e qualidade.

A experiência das auditorias realizadas de acordo com a Issue 7, em vigor desde abril de 2025, permite identificar algumas das principais dificuldades na aplicação do referencial e as áreas em que as empresas podem melhorar.

 

O que as auditorias estão mostrando

A BRCGS Packaging Materials conta atualmente com mais de 6.800 sites certificados em mais de 90 países. Desde o início das auditorias de acordo com a Issue 7, em abril de 2025, foram registradas cerca de 38 mil não conformidades, entre maiores e menores, o que já permite identificar tendências e áreas que continuam exigindo atenção por parte das empresas.

Entre as não conformidades maiores observadas globalmente, destacam-se temas relacionados ao comprometimento da alta direção, sistemas de gestão da segurança e qualidade do produto, controle de processos e condições das instalações. Já entre os pontos recorrentes identificados nas auditorias estão aspectos como rastreabilidade, controle de objetos cortantes e metais, higiene e organização, manutenção, controle de pragas, avaliação de vulnerabilidade, verificação dos fluxogramas e análise de perigos e riscos.

 

Esses resultados mostram que a eficácia da certificação depende tanto das condições de fabricação quanto da consistência dos sistemas de gestão. Para as empresas, conhecer os pontos que mais frequentemente originam não conformidades pode ajudar a direcionar auditorias internas, treinamentos e ações de melhoria para as áreas de maior risco.

 

Uma análise de perigos tão boa quanto o conhecimento do processo

Um dos principais desafios identificados está na análise de perigos. Não basta identificar os riscos mais evidentes. É necessário considerar todos os perigos razoavelmente previsíveis associados às matérias-primas, ao processo, às pessoas e ao uso da embalagem.

Contaminação cruzada, alergênicos, manipulações ou defeitos críticos da embalagem são alguns dos aspectos que podem ficar fora da análise. Também deve ser considerado um uso previsível diferente daquele para o qual o produto foi desenvolvido. Uma embalagem destinada ao uso a frio, por exemplo, pode acabar sendo utilizada pelo consumidor para aquecer o alimento.

O fluxograma é uma parte fundamental desse trabalho. Operações como aprovação de artes gráficas, devoluções, reincorporação de materiais ou retorno ao processo de amostras utilizadas em ensaios podem precisar ser consideradas. A melhor forma de confirmar que nenhuma etapa ficou de fora é verificar o fluxograma no local, acompanhando os materiais e o produto ao longo do processo e confirmando que o documento representa o que realmente acontece.

 

Vulnerabilidade não é um tema exclusivo dos alimentos

A avaliação de vulnerabilidade é outra área que merece atenção, principalmente nas empresas que trabalham com matérias-primas provenientes de cadeias de fornecimento complexas ou com materiais reciclados.

No setor de embalagens, a análise deve considerar as características dos próprios materiais e situações em que possa existir motivação econômica para fraude ou substituição. Conteúdo reciclado, composição, número de camadas ou determinadas características de barreira são alguns exemplos.

Conhecer a origem das matérias-primas e avaliar adequadamente os fornecedores é, portanto, essencial. A BRCGS Packaging Materials Issue 7 prevê diferentes mecanismos para aprovação de fornecedores, permitindo adequar o nível de controle ao risco associado.

 

Ter rastreabilidade não significa necessariamente demonstrar que ela funciona

A rastreabilidade continua entre as não conformidades identificadas internacionalmente.

Nem sempre isso significa que a empresa perdeu o rastro de um produto. Em alguns casos, o problema está na forma como testa e demonstra a eficácia do sistema.

Uma organização que trabalhe com diferentes grupos de produtos deve garantir exercícios suficientemente representativos. E o exercício não termina quando a documentação é reunida: é necessário avaliar os resultados e concluir se o sistema funcionou conforme previsto.

Na auditoria, a empresa deve conseguir demonstrar a rastreabilidade de forma eficaz, sendo quatro horas a referência indicada para a realização do exercício.

Em caso de incidente, essa preparação faz diferença na capacidade de identificar rapidamente matérias-primas, lotes, fornecedores e clientes potencialmente envolvidos.

 

O problema foi corrigido. Mas pode acontecer novamente?

Essa é uma das questões mais importantes após uma não conformidade.

Imagine que um operador utilize o material errado. A conclusão imediata pode ser simples: erro humano. E a ação também: treinar ou conscientizar novamente o colaborador.

Uma análise mais aprofundada pode revelar uma realidade diferente. Os recipientes podem não estar identificados; as etiquetas podem ter sido retiradas durante a limpeza e não recolocadas; pode não existir uma verificação após essa operação; ou o risco pode nunca ter sido considerado.

Nesse caso, treinar novamente o operador não elimina a causa do problema.

Ferramentas como os 5 Porquês ou o Diagrama de Ishikawa ajudam a investigar as causas e a definir ações que reduzam efetivamente a possibilidade de recorrência.

Em uma auditoria posterior, não é avaliado apenas se a situação anterior foi corrigida. Também é verificado se as ações implementadas foram eficazes e se existem situações semelhantes em outras áreas ou processos.

 

A certificação funciona quando faz parte da operação

Os melhores resultados não dependem necessariamente de mais documentação. Dependem da capacidade de conhecer os riscos, controlar os processos e envolver as pessoas.

A experiência de empresas certificadas demonstra isso. Na Intraplás, fabricante de embalagens para o setor de alimentos com atividade fortemente direcionada à exportação, a BRCGS Packaging Materials está integrada à gestão diária da qualidade e segurança de alimentos.

Auditorias internas, treinamentos, campanhas de conscientização, pesquisas sobre cultura de segurança de alimentos e comunicação regular com os colaboradores são algumas das práticas utilizadas para manter esses temas presentes ao longo do ano.

O envolvimento da alta direção também é relevante, mas a informação não deve circular apenas em um sentido. Dar às equipes a possibilidade de comunicar riscos, dificuldades e sugestões ajuda a identificar problemas que dificilmente seriam detectados apenas por meio de procedimentos ou auditorias.

É essa integração que permite que a certificação deixe de ser um exercício associado à data da auditoria e passe a apoiar a forma como a empresa gerencia seus processos.

 

Por que certificar de acordo com a BRCGS Packaging Materials?

Para muitas empresas de embalagens, a certificação já é um requisito para acessar determinados clientes e cadeias de fornecimento. Mas seu valor não se limita ao certificado.

A aplicação consistente do referencial permite fortalecer a gestão dos riscos associados aos materiais de embalagem, melhorar a rastreabilidade, estruturar a avaliação de fornecedores, reduzir a probabilidade de incidentes e criar uma abordagem comum à segurança e qualidade em toda a organização.

Em um setor no qual uma falha na embalagem pode repercutir ao longo de toda a cadeia, essa capacidade também se traduz em maior confiança para clientes e parceiros.

 

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